I could sleep for a thousand years

Eu sou uma das coordenadoras do Leia Mulheres. Eu também faço mediação dos clubes de São Paulo. Eu escrevo sobre cinema no Cine Varda. Também falo de terror no podcast do Necronomiconversa, que também tem site. Fora isso, ainda tenho o trabalho e a vida. Eu tinha uma newsletter (que levava o nome desse post), mas desisti dela e vou concentrar tudo aqui. Espero postar mais vezes por mês. Não gosto de coisas pela metade.

No final do ano passado eu voltei a ver séries. Comecei com The Mandalorian por motivos de Bebê Yoda. Depois vi Fleabag, que me deixou com sentimentos conflitantes, e pensando agora, não gostei nadinha. Comecei algumas outras que não terminei. Vi bastante de Sabrina, mas virou musical e eu odeio musical. Terminei The Good Place e dessa eu gostei muito, fiquei com vontade de ler filosofia. Agora estou dando mais uma chance para Ash vs Evil Dead. Eu tinha largado porque aquelas piadinhas de tiozão escroto são um saco. Estou tentando passar por cima delas para aproveitar o gore, que é muito bacana.

Por que digo tudo isso? Porque eu fiquei muito tempo sem ver séries, porque eu tinha sempre que ler um livro para escrever, ver filme para escrever, por muito tempo deixei de aproveitar essas coisas, virou uma obrigação. Eu via filmes dirigidos por mulheres para gravar podcast, comecei a ver terror para gravar também. Isso e uns problemas quase me fizeram desistir do gênero. Até hoje me pego me policiando sobre o que vejo e leio pensando se vou ter material para escrever.

O Leia Mulheres caminha com as próprias pernas, virou algo maior do que nós. E isso é lindo, mas eu sinto falta de escrever lá sobre os livros que eu leio. Nesse ano eu li A Vagabunda da Colette e tenho mil coisas sobre ele na minha mente. Eu não gostei da leitura, mas gostei do conteúdo. Faz sentido? Isso rolou com A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, mas esse eu resenhei.

Li Uma noite, Markovitch da Ayelet Gundar-Goshen para participar de um clube de leitura. Eu amei o livro, e conversar sobre ele fez o amor aumentar. Gosto muito de livros longos, de histórias complexas, de novelões familiares de 800 páginas, mas de novo, leio poucos porque preciso ler outras coisas. Ainda sobre clubes de leitura, Fique Comigo Ayòbámi Adébáyò não saiu intacto da conversa, percebi algumas irregularidades, mas ainda assim, um ótimo livro.

Fico nesse conflito de querer registrar minhas opiniões sobre o que li e vi, quero compartilhar com as pessoas. Gosto de falar apaixonada sobre as artes que amo, gosto de ver que os outros gostam das minhas dicas. Mas o que fazer com esse sentimento de obrigação? Lembro que no começo desse negócio de blogs literários várias pessoas faziam desafios, cumpriam listas e eu dizia “não quero nada obrigada”. Agora sou “obrigada” a tudo. Não é uma reclamação, apenas uma amarra que criei para mim mesma.

Sinto falta de ver séries descompromissadamente, de pegar um calhamaço e ler sem pensar no que vem em seguida, de ver um filme porque é de uma diretora que amo. Tenho dificuldades de escrever sobre algumas coisas que amo demais. A Teta Assustada é um dos melhores filmes que vi nesse ano. Não escrevi uma linha sobre ele. Nunca escrevi nada sobre Chantal Akerman. Talvez eu não a entenda, só aprecie.

E como escrever de forma objetiva sobre poesia? Eu não sei. Quero falar dos sentimentos que esse ou aquele verso me trouxe. E acho que é isso que vou continuar fazendo.

Imagem do post: Woman Reading on a Settee (1905-1910) de William W. Churchill.


One thought on “I could sleep for a thousand years

  1. Olá!

    Achei bacana a ideia de trazer o conteúdo da News pra cá, pois ainda sou MUITO entusiasta de blogs com caráter mais pessoal. ❤

    Essa obrigação que nos impomos é mesmo degradante, as vezes me vejo cronometrando um livro pra ver se vai dar tempo de terminar até o dia em que tem que sair resenha, mas logo em seguida jogo pro alto e percebo que eu quero ler no tempo do livro e não no meu.

    No mais, sigo amando seus trabalhos na internet. ❤

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