The fabulous freaks are leaving town

Pensei em ser clichê e intitular esse texto com The Carnival is Over, música do Dead Can Dance, mas optei por um trecho dela, para não ser tão óbvia.

Hoje é quarta-feira de cinzas e eu estou muito feliz por isso. Andei por São Paulo e nem sinal do Carnaval, apenas os stories de festas passadas e o glitter no chão do metrô.

A nossa ideia inicial para o Carnaval era ir para a Argentina, mas quando fomos comprar as passagens os preços estavam absurdos. A solução? Alugar uma casa no meio do mato com uma piscina. O local era tão isolado que não tinha sinal de telefone e sequer uma padaria nos arredores. Foi meio surreal estar em total isolamento, tendo apenas a companhia de dois amigos e visitas ocasionais dos cachorros da dona da casa.

Passei horas na piscina, tomei sol, vi uns sete filmes, terminei um livro e comecei outro, escrevi um pouco. Acordei com o canto de um galo, visitei o cemitério da cidade, subi no alto da serra e vi um cara pular de paraquedas.

Eu tinha em mente começar a ler Meu ano de descanso e relaxamento, da Ottessa Moshfeg (Todavia, tradução da Juliana Cunha), tirar aquela foto do livro na beira da piscina, mas me decidi por A última coisa que ele queria, da Joan Didion (Record, tradução de Carlos Eduardo Matos), porque a Dee Rees fez um filme baseado nele (tem na Netflix). Não sei se estou entendendo essa leitura, mas continuo.

Terminei Cadê você, Bernadette?, da Maria Semple (Companhia das Letras, tradução de André Czarnobai) com alguns anos de atraso. Quando ele saiu eu acompanhava blogs e canais de livros, só se falava dele. Eu gostei dele, é excêntrico na forma, assim como a Bernadette. É engraçado e estranho, uma leitura leve ara a semana em que completei 33 anos.

Já são cinco dias com essa idade e hoje bateu a preocupação com o futuro. Esses dias no meio do mato me fizeram esquecer de quase tudo. Ontem tive uma leve decepção e fiquei deitada naquele quarto cheirando a mofo enquanto via pela janela a chuva cair na piscina. Hoje estou no meu antigo quarto, também vendo a chuva cair. É muito estranho perceber que as minhas gatas não têm mais o mesmo cheiro desde que eu me mudei.

Estou com ideias para textos sobre cinema, estou com vontade de sair de casa e ver gente, estar com meus amigos. Cerveja tem me feito mal, então a gin tônica me parece a melhor opção.

Na terça de Carnaval de 2017 eu estava com a garganta cheia de pus e fui fazer um passeio no cemitério do Araçá. Em 2018 eu escrevi esse texto. Ano passado eu tinha acabado de me mudar, ainda tinha um sorriso no rosto. Ontem, de novo, eu estava num cemitério. Esse, porém, pequeno, bem cuidado e com flores frescas.

Imagem do post: Carnaval de Arlequín (1924-1925) de Joan Miró.


One thought on “The fabulous freaks are leaving town

  1. Texto denso! A cada dia passamos por desafios cobertos de acertos e erros, devemos extrair somente as lições aprendidas e seguir adiante. Dói, e muito, mas focar no positivo é essencial para manter nossa saúde mental. Uma pausa se faz necessária para acalmarmos nosso ser e baixarmos nossa guarda. As pessoas nem sempre são o que parecem, mas isso não é problema nosso, é DELES! Carregue somente o que te pertence, isso ajuda e muito! O isolamento nos abre perspectivas que não conseguimos, por vezes, enxergar quando rodeados pela multidão que não nos acrescenta nada!
    Estarei sempre contigo ❤️😘

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