Musique #1

Eu sempre falo que o black metal estragou a minha vida, e não é exagero. Mas ao mesmo tempo ele me trouxe a minha melhor amiga. Ainda gosto de algumas músicas, mas no geral foi só ladeira abaixo na minha vida. A música sempre teve uma parte muito importante na minha vida, com alguns momentos de baixa que coincidiram com esse meu desgosto com o tal gênero.

Desde nova eu sempre gostei de acompanhar as letras. Eu só comprava cds quando os encartes vinham com as letras. Lembro de ficar bem feliz quando vi que o Sleeping With Ghosts do Placebo tinha as letras completas, enquanto que o primeiro do Garbage só tinha trechos.

Alanis Morissette foi meu segundo grande vício. O primeiro foi Titãs na infância, mas isso é assunto para outro dia. Acompanhei bem a carreira dela até o lançamento do Under Rug Swept. Gosto muito de algumas músicas daquele disco, mas o amor não foi mais o mesmo. Acho que o Supposed Former Infactuation Junkie foi o disco que mais ouvi na vida. Eu com 16 anos me achando super profunda por me identificar com aquelas letras. Desde meus 11 anos eu canto “You Oughta Know”.

Essa quarentena me aproximou da música. Escuto o dia todo enquanto trabalho, enquanto escrevo, enquanto limpo a casa. E como sou feita de obsessões, já tenho duas faixas que me deixaram com o coração na mão. Não por coincidência, são duas belíssimas músicas de corno.

No meio da pandemia saiu o tão aguardado novo disco da Fiona Apple. Eu sempre gostei dela, mas nunca dei a devida atenção. Eu a conheci na revista Bizz quando ela lançou o When the Pawn…, mas só fui ouvir seus discos depois do advento do Speedy em minha residência. “Sleep to Dream” logo virou música do coração, mas não da mesma forma que “Newspaper“. Ouço o disco da Fiona quase todo dia desde que saiu, e essa se tornou a minha preferida, não só do disco, mas da carreira dela.

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Há alguns anos me envolvi com uma pessoa errada. Tudo ali era errado, o beijo, as conversas, a postura. Absolutamente tudo. Mas ela me disse uma coisa que eu guardei para a vida: “Você gosta de músicas sem variações, que seguem um mesmo ritmo”. E é exatamente assim, minhas músicas preferidas da vida são a mesma coisa, do começo ao fim. “Newspaper” é isso. Fiona Apple cuspindo seu ódio em um único ritmo e meu sonho era que essa música tivesse 20 horas.

E a letra é um misto de sentimentos, algumas partes refletem essa situação que descrevi, ao mesmo tempo que outras são o oposto. Mas é perfeito cantar junto:

I wonder what lies he’s telling you about me
To make sure that we’ll never be friends
And it’s a shame, because you and I didn’t get a witness
We’re the only ones who know
We were cursed, the moment that he kissed us
From then on, it was his big show

Eu sou completamente apaixonada pelo trabalho da Kristina Esfandiari desde que conheci sua banda King Woman. Dali em diante fui conhecendo seus outros projetos, entre eles o principal, Miserable, um shoegaze lindo que tem muito de Sylvia Plath. O disco Uncontrollable é perfeito. O mais recente foi Loverboy / Dog Days, que eu não gostei logo de cara, até que prestei atenção à faixa “Cheap Ring“.

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A música me lembra madrugadas em botecos imundos da Augusta, rodeada de gente tosca, pensando o porquê de não estar na minha cama e sim ali, com uma cerveja quente na mão, ouvindo uns papos furados e sem sentido. Acho que era vontade de fazer parte de algo (assim como era no black metal). Lembro das luzes neon, das sinucas, dos puteiros, dos caras caídos num canto, das conversas etéreas.

Its
been nice
Wasting
All your time
You’ve brought light to my eyes
Haven’t felt that shit in a long while

Como eu disse, música de corno, sempre minhas preferidas.


2 thoughts on “Musique #1

  1. A cada leitura você me surpreende mais, sua forma de escrever é tão real que eu me vejo em muitas de suas publicações como se estivesse numa viagem no tempo. Parabéns filha! Você é incrível! Sucesso e muitas alegrias em sua trajetória, pra você o céu não é o limite 👏👏👏👏👏👏👏❤️😘

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  2. A Fiona é uma dessas artistas que realmente mergulham em si e transformam suas angústias em arte, algo que admiro demais, mas sempre imagino ser bem doloroso. Newspaper é uma música poderosa demais, nossa. Não é a minha favorita dela porque a que mais conversa comigo é outra, mas é difícil olhar para a letra dela e não pensar naquilo que ela está dizendo (e sentir o que ela está dizendo). Enfim, ouço o álbum todo dia também haha

    Já minha relação com a música… amiga do céu, nem sei definir, é bizarra demais. Já foi melhor, certamente. Hoje em dia, é mais uma coisa catártica do que algo que verdadeiramente aprecio. Fases, né.

    Bjo ;*

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