O bom filho

Depois da leitura de Miso Soup, eu queria continuar no continente asiático. Escolhi O bom filho, da sul-coreana You-Jeong Jeong, publicado no Brasil pela Todavia com tradução de Jae Hyung Woo. Na contracapa tem um blurb da Cosmopolitan dizendo que esse livro é a resposta coreana ao Stephen King. Esse foi um dos motivos de eu ter passado O bom filho para a frente da fila.

Yu-jin é um jovem que sofre crises de epilepsia. Ele às vezes fica sem tomar os remédios para poder pensar mais claramente. Ele gosta de sair para correr e numa dessas noites começa a sentir um cheiro muito forte de sangue. Esse é um dos indícios de que uma crise está prestes a ocorrer.

Ele vai para a casa e capota na cama, nem sente direito o sono vindo. Quando acorda o cheiro de sangue permanece, e ele não consegue se lembrar muito bem do que aconteceu na noite passada. Ao se levantar percebe que está encharcado de sangue, com a cama completamente ensanguentada. Mas o sangue não é seu.

O telefone começa a tocar, ele ainda está zonzo e desce para tentar entender o que está acontecendo. Aí o choque: o corpo de sua mãe está estendido no chão, banhado de sangue, com um corte enorme no pescoço. Yu-jin não consegue se lembrar do que aconteceu, mas sabe que será incriminado, então começa a limpar a casa desesperadamente, antes que seu irmão chegue.

Ele limpa tudo com cloro, abre as janelas, mesmo com o tempo frio, e esconde o corpo da mãe. Ele liga para o irmão e pede que ele passe num quiosque para pegar seu celular, que supostamente ele havia esquecido lá. Esse foi o único jeito que ele encontrou para adiar a chegada do irmão.

O começo do livro é um pouco lento. Há essa situação e alguns acontecimentos do passado são contados. Aos poucos vamos conhecendo quem é o Yu-jin na verdade, a história de sua família e as causas de sua epilepsia. Quando entendemos o que está acontecendo a angústia da leitura só aumenta.

Sabemos o que ocorreu, sabemos o porquê, mas como tudo vai terminar? Na parte final da leitura é impossível largar o livro até descobrirmos todos os detalhes. Esse livro possui aquela fórmula clássica do thriller, de prender nossa atenção, mas é carregado de uma morbidez não muito comum do gênero. Eu gostei demais desse livro.

Um fato curioso: eu tomo muito cuidado com meus livros. Alguns parecem intocados, mesmo depois da leitura. No dia que comecei a ler O bom filho eu peguei algumas pitangas do jardim do meu trabalho, achei que minha mão estava limpa e segurei o livro. Ele ganhou uma mancha que parece sangue. Dias depois peguei uma chuva absurda e o livro enrugou. E ainda ficou amassado dentro da mochila. O estado dele representa meus sentimentos durante a leitura.


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