My Best Friend’s Exorcism, de Grady Hendrix

Terror é meu gênero preferido. Esse blog começou com o intuito de falar apenas de terror, mas eu não leio tanto do gênero quanto gostaria. São muitos livros, muitas escritoras e acabo não dando conta. Mas na semana passada eu separei um tempo e comecei My Best Friend’s Exorcism do Grady Hendrix. Infelizmente o autor ainda não foi publicado no Brasil, então li em inglês mesmo.

Conheci o autor no podcast Reading Glasses e adorei o humor dele. Falaram que o livro tinha umas passagens bem assustadoras, e achei que seria uma ótima combinação. E foi mesmo! Apesar de entender bem o inglês, não leio tão rápido, e mesmo assim li as mais de 300 páginas em poucos dias. A escrita do Grady é cativante demais, e ele descreve as cenas de forma incrível.

Tudo começa em 1982, no aniversário de dez anos da Abby Rivers. Ela fez uma festinha num local de patinação e ninguém apareceu, apenas Gretchen Lang. Ali nasceu a amizade delas, que como sugere o título, passaria até por um exorcismo. O livro foi publicado em 2016, mas se passa em 1988, então tem todos os elementos daquela época. A capa mostra isso claramente, bem como as citações e as referências a bandas e cantores.

Abby e Gretchen estão com 16 anos, no ensino médio, passando por aquelas bizarrices todas da adolescência: espinhas na cara, estranhamento com o corpo, relações familiares. Elas duas são amigas de Margareth e Glee, e decidem passar uma noite juntas na casa do lago de Margareth. Elas tomam LSD e ficam esperando bater alguma coisa, que parece nunca vir. De repente, Gretchen tira a roupa e saí correndo em direção à agua. Ela some na floresta.

Abby passa horas tentando encontrá-la, até que acha uma casa perdida no meio do mato. E acha que ouviu a voz de um homem. Nada da amiga, e o desespero começa a tomar conta dela. Quando Gretchen aparece, ela está suja, tremendo e não se lembra de nada. Ali as coisas começam a piorar.

Naquela época, o Satanic Panic estava em todos os jornais. Aqui no Brasil tivemos o Caso Evandro, nos Estados Unidos, o The West Memphis Tree. Os pais de Gretchen são religiosos, mas parecem não achar nada de errado com a filha, que para de tomar banho, usa as mesmas roupas todos os dias e parece atormentada. Depois ela parece melhorar, mas começa a fazer mal para todos a seu redor.

Abby tenta desesperadamente ajudá-la, fala com padres, com o diretor da escola, começa a achar que a amiga foi estuprada. Claro que ninguém acredita nela e de algum modo, parece que a culpa de tudo cai nas costas de Abby. Pensei bastante em como as jovens estupradas em faculdades nos Estados Unidos são sempre culpadas, o mesmo acontece com Gretchen e Abby. Elas não deveriam ter usado drogas, elas não deveriam estar sozinhas no escuro.

O livro todo me parece como uma metáfora para a adolescência e para as bizarrices que nossos corpos passam, bem como a violência que vem dos homens. Também é uma história de amizade verdadeira, que passa pelo pior tipo de situação e mesmo assim sobrevive. Mesmo com tudo dando errado, Abby não larga a amiga por nada. E isso salva a sua vida.

Engraçado como histórias de terror quase sempre carregam algo triste como plano de fundo. Senti muito medo durante a leitura desse livro, mas terminei em lágrimas. A narrativa é envolvente, você fica grudado no enredo, você sente medo e tristeza por toda aquela situação e torce para tudo ficar bem. É raro que o terror traga finais bons, mas aqui eu fiquei completamente satisfeita.


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