Gótico Mexicano, de Silvia Moreno-Garcia

Silvia Moreno-Garcia é uma escritora mexicana de ficção especulativa que atualmente mora no Canadá. Gótico Mexicano foi o livro que me apresentou à escritora, mas ela já possui uma longa carreira na literatura, com seis romances publicados, além de diversos contos e coautorias. O livro foi publicado no Brasil pela Darkside, com tradução de Marcia Heloisa e Nilsen Silva.

Como o nome sugere, estamos diante de um livro com inspiração gótica, aquela coisa de uma jovem numa mansão aparentemente mal assombrada que esconde segredos antigos. A própria autora cita Jane Eyre e O morro dos ventos uivantes em dado momento da narrativa. Imagine tudo isso ambientado no México.

Anos 50, Noemí Taboada é uma jovem de uns 20 e poucos anos. É esperado que ela encontre um marido e sossegue, mas seus planos são outros: faculdade de antropologia e se divertir o quanto puder. Certa noite ela estava numa festa com um rapaz que não significava muito para ela, mas era bonito e sabia dançar. Ela recebe uma ligação urgente de seu pai, pedindo que ela volte para casa.

Chegando lá ele informa que sua prima Catalina havia escrito uma carta bastante perturbadora. Órfã, ela havia sido criada com Noemí. Se recuperando de um coração partido, ela conheceu Virgil Doyle e em pouco tempo se casou e foi morar com ele em El Triunfo, uma cidade do interior. Ele quer que Noemí vá até lá para averiguar o estado da prima.

El Triunfo é uma cidade bem pequena, deteriorada. Ela é conduzida até a casa da família Doyle, que leva o nome de High Place, uma mansão no topo de uma montanha, totalmente isolada do centro da cidade. Tudo ali é estranho, escuro e mofado. Logo descobre que a família Doyle veio da Inglaterra para o México para explorar a prata da mina local. Aí vocês já imaginam que isso envolve trabalho escravo, eugenia e afins.

Noemí encontra Catalina num estado quase catatonia. Ela afirma que há vozes na parede. Noemí fala que sua prima de cuidados psiquiátricos, quer buscar segundas opiniões médicas. As pessoas da família dizem que ela está se recuperando de uma tuberculose. Claramente esse não é o caso. Catalina converge entre momentos de sanidade e de aparente loucura, e Noemí tenta ajudar a prima como pode.

Logo na primeira noite ela é apresentada a Howard, sogro de Catalina, patriarca da High Place. Ele é tido como um deus, todos ali parecem viver de forma a agradá-lo. Ele é muito velho, decrépito e além de tudo racista. Comenta a pele escura de Noemí, fala sobre linhagem e aquele monte de baboseira. Ali é ligado o sinal de alerta do leitor.

Noemí começa a ter pesadelos muito vívidos, o mofo das paredes parece se mexer e ela escuta vozes. Através de uma curandeira da cidade ela descobre que houve uma tragédia na casa, envolvendo assassinato seguido de suicídio. As pessoas que trabalhavam na mina morreram de uma misteriosa doença que ninguém soube explicar. Em meio a tudo isso, Noemí tem dificuldade em distinguir realidade e imaginação, e precisa encontrar um jeito de sair dali e levar sua prima.

Eu amo literatura gótica, então foi maravilhoso ler um enredo do gênero que se passasse no México, e tocasse em questões como o racismo e tragédias familiares. Fazia tempo que eu não lia um livro pensando “só mais um capítulo” antes de dormir. A edição brasileira peca na revisão, mas não atrapalhou muito a leitura. Recomendo para todos que acham que terror só existe no contexto europeu ou estadunidense.


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